desde o começo sabia que não pertenceria aquele mundo. Cansado de envergonhar-se da própria desobediência, lançou aos previsíveis eventos uma lasca de vontade derradeira. Amontoou os restos de cinzas que o incomodavam e soprou-as afim de se libertar de uma delicada crença em algo que volta e meia insistia em vislumbrar o sombrio. Apostou no valor do vento, e sem nada a perder, sorriu.
E eis que ela surgiu.
Curiosa para farejar os novos goles de simpatia que dele desciam feito milagre inesperado, o abordou. Abusando de uma imprevisibilidade intrigante, atirou sobre sua áurea sensíveis punhados de honestidades maliciosas guiadas por uma vaidade que fazia jus a natureza de seus belos cabelos castanhos e, fingindo um não querer, vendeu-lhe sabiamente a clássica e instigante desesperança cínica. Sem se intimidar, ele não a comprou. E sem nada a perder, ela sorriu.
Partiram dispostos a encarar o presságio daquele contato intenso. Não havia tempo e nem vontade de digerir o mundo alheio. Simplesmente viveram e, cientes de suas forças, resolveram crer que através do calor de seus hálitos viciados em promessas indevidas poderiam se render ao ápice escondido entre a palavra maldita e o desesperado tremor de pernas em busca de alívio. E então se fez manhã. O sol despertou seus corpos e numa atitude nobre como a madrugada nua se despediram do acidente oportuno confiantes de que seria impossível ignorar o inesquecível.
Sem nada a perder.
abril 22, 2009 às 1:43 pm |
E lá sei vai mais um dia e mais uma noite na cidade. Cidade dos amores vãos.