- Mô?
- Oi?
- Tá acordado?
- Pensativo.
- A gente tá bem, né?
- Claro, linda, por que?
- É que você não fez carinho nela hoje.
- Ué. Você disse que estava com dor de cabeça.
- Mas a dor era na cabeça.
- Mas da última vez que você esteve com dor na cabeça, me evitou o tempo inteiro.
- Mas hoje eu tô com dor de cabeça e com vontade de não te evitar.
- Tá bom, Larissa, mas se você está com “vontade” de não me evitar, significa que ainda há uma chance de você me evitar.
- Seu Frouxo.
- Sua Bipolar.
- Brocha.
- Oxiúros.
- Que? Do que você me chamou?
- Nada. Eu tava pensando naqueles vermes que a gente pega na infância e que dão uma coceira no rabo danada.
- Que coisa mais sem nexo, Gustavo. Aprende a discutir numa boa… para de ser porco.
- Não é nada com você, paranóica. Tava pensando nas palavras erradas do mundo.
- Quer que eu chame um médico?
- Fala a verdade, você não acha que algumas palavras deveriam ser outras?
- Como assim?
- Oxiúros tem nome de galáxia. É poderoso como o infinito. Deveria abrigar planetas e não a bunda de crianças piolhentas. Consigo até imaginar o narrador do trailer dizendo: Um alien de Andrômeda destinado a salvar a Terra dos perigosos alienígenas de Oxiúros.
- Sabe que eu também já pensei nisso?
- No quê?
- Clitóris, por exemplo, tem nome de medicamento. Dr., me vê dez tabletes de Clitóris, por favor. Lambisgóia não tem absolutamente nada de nojento. É um nome super alegre, poderia ser o de uma borboleta. Aliás, borboleta deveria substituir o clitóris, você não acha?
- Caramba, linda, aí eu já não sei, é muita informação… vamos mudar de assunto? Tô com uma saudade da sua borboletinha.
- Engraçadinho. Esqueceu que eu to com dor de cabeça?
setembro 29, 2009 às 5:08 pm |
ahahahah
boa rapah.
belo texto.
setembro 29, 2009 às 8:01 pm |
Gostei de como foi feita as pazes no final…. Lembra bem os eventuais desencontros dos caisai, os quais acabam por se reajustarem devido um ato de descontração bem colocado.
setembro 30, 2009 às 2:40 pm |
Por isso q sou contra Dr's…rs
outubro 1, 2009 às 1:42 pm |
adorei!
outubro 1, 2009 às 2:03 pm |
Eu vi um filme em que o cara queria chamar a filha de Clamídia, mas infelizmente isso era nome de doença venérea.
outubro 4, 2009 às 11:58 pm |
Muito bom seu texto! Segue um meu:
O Lançamento
Lançar um livro é se lançar às críticas, ao abismo que é o gosto do outro.
Publicar é mais que escrever,é inscrever as palavras, imprimir-se, revelar-se para o mundo.
Há milhares de anos, quando não éramos ainda seres “humanos”, resolvemos misturar o sangue dos animais com terra, transformamos esse sangue em tinta e passamos a desenhar as paredes das cavernas. Não se sabe porque isso de deu, mas com certeza, já havia na cabeça dos nossos antepassados cavernosos a necessidade de transcender à vida, de mostrar ao mundo: “eu estive aqui”.
Ninguém sabe exatamente o que é arte. A mim, arte remete à caverna, sangue, angústia, destino, transcendência. Porém, é apenas uma intuição, uma conjectura. Não tenho certeza. Nunca terei.
Mas isso não tem a menor importância. Pois a vida não é feita de certezas, mas de caminhadas.
Eu, Victor Colonna, tenho a honra de convidá-lo(a) para o:
Lançamento do meu livro de poesia “Cabeça, Tronco e Versos”,
na Livraria Baratos da Ribeiro, rua Barata Ribeiro 354 lj D, Copacabana,
dia 13 de outubro de 2009, a partir das 19:30h
Boca do Estômago (Victor Colonna)
Minha língua afiada
Cortou o céu da boca:
Passei a cuspir marimbondos.
Era tanto veneno
Que toda ferida era casca
Todo ruído era estrondo.
Um dia, desatento
Passei ungüento na boca
E amaciei o céu.
Pus-me a cuspir marimbondos
e abelhas
Sangue adoçado
Veneno e mel.
junho 23, 2010 às 8:16 pm |
Sensacional!!
julho 16, 2010 às 4:07 pm |
CARA MUITO BOM SEU BLOG!