O presidente Lula disse uma vez que deveria ser criado o dia mundial da hipocrisia. De fato, não só deveríamos celebrar sugestiva data, como agradecer pela frase menos hipócrita da estrela petista desde que ela assumiu o poder. Afinal não há espaços para excessos de honestidade num mundo em que a verdade inexiste. Não passa de unidade de medida individual, tal qual a mentira.
Confesso que ainda não caí no abismo do tédio perante a humanidade porque acredito muito nessa tal de hipocrisia – apesar de me incomodar com ela -, principalmente por ela ser funcional, por se tratar de uma mentira vital para o indivíduo que, por natureza, modelar-se-á, sempre, de acordo com suas próprias conveniências porque a única forma de manter um equilíbrio dentro de um sistema desequilibrado é utilizando-se dessa ferramenta na hora de sonegar um imposto enquato critica a pirataria, de furar filas e malhar o sujeito que joga o carro no acostamento pra fugir do trânsito, de jamais ter separado um lixo reciclável na vida e mesmo assim pregar ecologia com romantismo verde, de trair a esposa, de ser traído e ambos falarem mal da infidelidade alheia, de mentir para o pai e ensinar regras de conduta aos filhos quando passou a juventude infringindo-as, de ignorar os mais necessitados e vender poesias sobre a fome na África, de apoiar a luta contra o racismo e atravessar o outro lado da rua quando vê um preto mal vestido, de defender a igualdade das mulheres e homossexuais e apunhalá-los na primeira oportunidade, enfim… o importante mesmo, de verdade, é manter um discurso de qualidade, sempre. Com uma postura elegante e repleta de hipocrisia como grande parte desse texto aqui.
Então que festejemos o dia da hipocrisia de todo dia, mas sem esquecer de utilizá-la com moderação, se possível quando atrelada a um bem maior ou qualquer outra necessidade justificável como o dever de educar as crianças que assumirão essa baderna um dia.
E viva o Lula. E viva a hipocrisia.
Direito natural de todo brasileiro.
maio 13, 2009 às 8:16 pm |
Te mandei um mail. Olha lá
maio 15, 2009 às 8:41 pm |
Afinal não há espaços para excessos de honestidade num mundo em que a verdade inexiste. Não passa de unidade de medida individual, tal qual a mentira.
Só acredito em nova ordem, do jeito que as coisas estão e sempre foram, se houver caos social.
acredito muito na hipocrisia – apesar de nao gostar dela – , principalmente por ser funcional. Por se tratar de uma mentira permitida, justificável, necessária e vital para cada indivíduo que, por natureza, modelar-se-á de acordo com suas próprias conveniências porque a única forma de manter um equilíbrio dentro de um sistema desequilibrado é utilizando-se dessa ferramenta na hora de…
Viva o dia da Hipocrisia. Viva a hipocrisia de todos os dias.
Sublinho estas partes do texto e assino em baixo, pra nossa infelicidade temos que assistir e participar destes meandros e deste esquema do sistema!!! Como ficar de fora? Que jogue a primeira pedra quem nunca foi mesmo que por necessidade um “hipócrita”!!! Que me perdoe a esquerda que sobrou, mas o meio corrompe, e o bolso coça!!!
E salve-se quem escapar desta dita hipocrisia pela maior quantidade de vezes que conseguir.
maio 29, 2009 às 6:08 pm |
Parabéns pelo blog. Tenho um blog de poemas e crônicas. Se puder ~dê uma passada por lá. Seguem dois poemas!
SUJEITO OCULTO (Victor Colonna)
O problema são as conjunções desconjuntadas
As interjeições rejeitadas
Os adjetivos desajeitados
Os substantivos sem substância
As relações de deselegância entre as palavras.
É preciso superar o superlativo:
O absoluto sintético
E o analítico.
Achar o verso
Entre o verbo epilético
E o pronome sifilítico.
Falta definir o artigo inoxidável
O numeral incontável, impagável.
Resta procurar o objeto direto
Situar o particípio passado
E o pretérito mais-que-perfeito
Desvendar a rima
Desnudar a palavra
Encontrar o predicado
E revelar o sujeito.
POST SCRIPTUM (Victor Colonna)
Deixo para o mundo minha gastrite
Minha enxaqueca e um pouco de azia
Minhas madrugadas sem limite
E a angústia sob o sol do meio-dia.
Deixo também, como herança, a preguiça
A luxúria, o orgulho e a ironia
Uma dose de veneno e cobiça
E a descrença acrescentada à apatia.
Podem levar meus amores relapsos
Minha loucura crônica, os colapsos
E um eventual resto de alegria
Mas fica comigo aqui, resguardado
Aquele que será o meu legado
Minha alma seca e minha poesia.
maio 29, 2009 às 11:17 pm |
Obrigado pelo comentário! Porque vc não publica novos poemas no teu blog há tanto tempo? Coragem rapaz!
Grande abraço!
Colonna