Amor babaca

– Me considero um homem interessante do ponto de vista feminino.

– Ah é? E por que?

– Não gosto de falar de futebol e muito menos de política.

– Mas eu gosto de falar de futebol e de política.

– Por isso você não é uma mulher interessante.

– babaca.

– Não fala assim, você não é bióloga ?

– Sou, por que?

– Então. Eu adoro falar sobre animais e entendendo bastante do assunto.

– Já que entende, me diz qual o animal mais perigoso do mundo.

–  A mulher tijucana.

– Babaca.

–  Linda.

– Já que sou perigosa, tá fazendo o que comigo há 5 anos?

–  Esperando você me dar um bote.

– Ué, não tem medo do meu veneno?

– Medo eu tenho é de viver sem ele. Casa comigo agora?

– Claro que não.

– Sua babaca.

– Seu lindo.

– Aliás, se você não sabe, esse jantar aqui é para te desejar feliz dia internacional da mulher.

– Agradeço, mas não preciso de dias especiais. Você que se diz interessante deveria saber disso.

– Quer um homem interessante? Então tá bom. Vou começar a  falar de política!

– Agora não que vai começar o jogo do Vasco.

– Babaca.

– Aceito.

–  Aceita o que?

– Casar com você, seu idiota. Mas lava os pratos.

–  Lavo. Sua linda.

 

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Carga e Descarga

Quando confessei meus defeitos,  fui considerado fraco. 

Quando assumi minhas qualidades, fui considerado arrogante.   

Só que para mim, a música está para o carro como a privada para a leitura.

Dirijo a vida cantando.

E cagando aprendo.

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Besta

Produzo quando me proponho a pensar besteira. Como besteira, bebo besteira, falo besteira e faço besteira. Gozo, quando imagino besteira. Amo, quando me sinto um besta. E tem gente que ainda diz que a vida é uma bosta.

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Os Anais do Romantismo

– Estava pensando… já que terminou o show, o  que acha de esticarmos um pouco mais?

– Acho uma boa, tô  sem a menor vontade de ir pra casa agora.

– Ok, então deixa comigo.

– Ué, mas você não deveria ter quebrado a direita? Pra onde você está me levando?

– Pra a Urca, minha linda, lá tem uma vista maravilhosa, a gente toma uma cerveja, conversa um pouco mais…

– Fábio, pode parar!

– O que foi? Fiz alguma coisa errada?

– Olha só, eu tenho 36 anos, sou experiente, já vivi muito, trabalho pra cacete pra manter minha independência e me considero extremamente bem resolvida pra ter que aturar esse blá, blá, blá todo.

– Que bla, bla, blá, Claudinha?

– Esse excesso de romantismo. Eu gosto de homem decidido, que diz na cara tudo aquilo que realmente deseja sem ficar fazendo floreio.

– Então tá. É pra ser direto, então?

– Sempre.

– Vai me dar o cu?

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Toninho e Pedrão Em Mais Um Dia de Cão

–      Eu não entendo, Toninho,  o cara começa a namorar e some.

–      Porra Pedrão, completamente normal. Pior é quem emenda um namoro atrás do outro, como o seu irmão sempre fez. Não é possível que ele ame tanta gente assim. Pra mim é comodismo.

–      Calma aí… Toninho. Nem podemos falar muito dos outros. Tudo bem que eu só tive uma namorada, mas você, cara, você tem 30 anos e nunca namorou ninguém. Como poderia dizer que você amou alguém na vida?

–      Claro que amei.

–      Amou?

–      Te amei intensamente.

–      Que papo é esse?

–      Amei cada um de vocês.  Vivi os melhores momentos da minha vida ao lado de vocês. Cada fase que o seu irmão sofria com a namorada dele, era uma que eu curtia ao seu lado.

–      Isso é verdade.

–      Paixão ferida, namoradas… sabe o que elas realmente representam?

–      Não faço idéia.

–      Um comercial de margarina de final infeliz. E só.

–      Mas com que propriedade tu diz isso se você nunca namorou?

–      Calma aí, também não sacaneia. Eu tive minhas paixões, ou você se esqueceu?

–      É verdade. Aquela patinadora foi digna de viver na lembrança.

–      É disso que eu tô falando. Depois que a dor passa, os flashes não duram mais do que cinco minutos em nossas cabeças. É como um comercial barato. Já quando penso na gente, meu camarada, vem aquele longa-metragem invejado pelos piratas mais respeitados e cobiçados pelos covardes que tanto criticam os homens de vida intensa. E eles nunca chegarão lá,  sabe por quê?

–      Nem imagino.

–      Porque tiveram oito, nove, dez namoradas… 

–      Cara, nunca tinha pensado dessa forma.

–      A gente é feliz, amigão. Livre como poucos.

–      É. Pode ser. Mas por outro lado estamos sempre buscando. Um exemplo disso é estarmos aqui, nessa mesa de bar, flertando todas ao nosso redor.

–      Aí é que tá. O que é que a gente ganha com isso? O prazer da conquista. E somos bons em conquistas. Aliás, somos mestres.

–      Mas e depois da conquista, Toninho?

–      Porra, Pedrão. Não faço idéia. Vai perguntar pro teu irmão. Tu tá muito sensível hoje.

–      Não é isso…

–      Então o que é que tá pegando?

–     Esses comerciais de margarina…. são tão envolventes.

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Hipocrisia… "eu quero uma pra viver"

O presidente Lula disse uma vez que deveria ser criado o dia mundial da hipocrisia. De fato, não só deveríamos celebrar sugestiva data, como agradecer pela frase menos hipócrita da estrela petista desde que ela assumiu o poder. Afinal não há espaços para excessos de honestidade num mundo em que a verdade inexiste. Não passa de unidade de medida individual, tal qual a mentira.
 
Confesso que ainda não caí no abismo do tédio perante a humanidade porque acredito muito nessa  tal de hipocrisia – apesar de me incomodar com ela -, principalmente por ela ser funcional, por se tratar de uma mentira vital para o indivíduo que, por natureza, modelar-se-á, sempre,  de acordo com suas próprias conveniências porque a única forma de manter um equilíbrio dentro de um sistema desequilibrado é utilizando-se dessa ferramenta na hora de sonegar um imposto enquato critica a pirataria, de furar filas e malhar o sujeito que  joga o carro no acostamento pra fugir do trânsito, de jamais ter separado um lixo reciclável na vida e mesmo assim pregar ecologia com romantismo verde, de trair a esposa, de ser traído e ambos falarem mal da infidelidade alheia, de mentir para o pai e ensinar regras de conduta aos filhos quando passou a juventude infringindo-as, de ignorar os mais necessitados e vender poesias sobre a fome na África, de apoiar a luta contra o racismo e atravessar o outro lado da rua quando vê um preto mal vestido, de defender a igualdade das mulheres e homossexuais e apunhalá-los na primeira oportunidade, enfim… o importante mesmo, de verdade, é manter um discurso de qualidade, sempre. Com uma postura elegante e repleta de hipocrisia como grande parte desse texto aqui.

Então que festejemos o dia da  hipocrisia de todo dia, mas sem esquecer de utilizá-la com moderação, se possível quando atrelada a um bem maior ou qualquer outra necessidade justificável como o dever de educar as crianças que assumirão essa baderna um dia.

E viva o Lula. E viva a hipocrisia. 
Direito natural de todo brasileiro.
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Desvendado Isabel

– Bom dia, doutor Leopoldo.

– Bom dia, Cláudio.

– Como ela está?

– Vamos conversar. Mas antes preciso que o senhor entenda que o bom psiquiatra age com os familiares de seus pacientes de forma íntegra e direta.  A depressão é uma doença que não permite rodeios. Qualquer perda de tempo pode ocasionar numa possível tragédia, entende?

– Doutor, eu nasci da lama. Se venci na vida foi porque soube enfrentar as verdades mais assustadoras. Portanto seja direto que dificuldade pra mim é passatempo.

–  Cláudio, a verdade é que o casamento de vocês acabou. Isabel não tem mais ânimo para continuar uma relação que não faz mais sentido em seu interior e o único jeito de recuperar a felicidade é se desvencilhando desse ideal de amor que o tempo se encarregou de desgastar. Sei que parece estranho, mas vocês só serão felizes separados.

– Espera um pouco. Deixa ver se eu entendi. Você está me dizendo que meus dez anos com Isabel estão acabados por conta de umas crises de choro ? Ela te disse que não me quer mais?

– O subconsciente dela disse.

– Subconsciente de cu é rola. Com que propriedade você diz na minha cara uma merda dessas!? Quem é você para, em algumas sessões, julgar dez anos de convívio!? O que você entende sobre os desejos de Isabel, me diga?

–  Sua decepção é natural, Cláudio. Já esperava que reagisse assim. Sei o quanto é difícil, mas você precisa aceitar a verdade, pelo bem de vocês.

– De que verdade você está falando? Você não entende nada. Como pode ser tão prepotente em dizer o que se passa com minha mulher em seis meses de estudos? Vocês psiquiatras são o grande mal do mundo moderno.

– Não sou pago para enganá-lo, Cláudio. Não ganho nada em vê-los separados.

– Tá vendo só!? Você fala com um jeitinho meio soberbo, como se soubesse o segredo da vida, arrotando uma maturidade racional de quem foi delicadamente orientado por teorias sem sentido.  Quem de vocês é capaz de dar bons conselhos aqui!? Quantos nesse momento estão destruindo o relacionamento alheio com base em idéias absurdas, criadas por pessoas polêmicas que fizeram fama levantando questões que destroem os valores mais preciosos? Quantos de vocês são felizes de fato? Pelo contrário, vocês são o retrato da própria loucura. Ficam insistindo em caçar respostas saudáveis para os desvios de conduta mais levianos sem sequer administrarem decentemente a própria vida. Não. Vocês não servem para dizer que meu casamento acabou. E não, você não vai mais entupir minha mulher com seus conselhos de merda e esses comprimidos que estão envenenado Isabel.

Cláudio se despede num desesperado bater de portas e corre rumo aos ombros de Camila, amante das mais disponíveis.

– Mila, me ajuda. Eu tô completamente perdido.

– Calma, Cláudio. Do que você tá falando? Quer me matar do coração?

– Como ela pôde?

– Cláudio, você tá me assustando. O que é que tá acontecendo? Fala.

–  Tem um Psiquiatra comendo a minha mulher.

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